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Em março de 2012, a família de Amanda Priscila Nogueira criou uma loja especializada em moda evangélica. A jovem explica que a ideia surgiu ao perceber a dificuldade para conseguir artigos que se adequem ao estilo de vida dos religiosos. Nesta quarta-feira (23), comemora-se o Dia do Evangélico no Acre. O feriado foi transferido para sexta-feira (24).

"Minha mãe que viaja para comprar a mercadoria e trazer as roupas específicas. Ela tem que procurar no meio da moda em geral aquelas roupas que vão se adequar aos nossos clientes, porque não tem uma loja específica para o público evangélico. Ela vê quais são as tendências e traz o que for mais adequado", conta.

A loja é especializada no público feminino. A lojista explica que os boletos, blusas de manga curta e vestidos são os itens mais procurados pelas evangélicas. O desafio é conciliar as tendências da moda com o estilo de vida dos clientes.

"As pessoas tem dificuldade de encontrar uma roupa que seja adequada, decente, mas que não seja cafona ou brega. Que siga as tendências da moda, porque as pessoas também querem andar nos tecidos da moda, nas cores da moda", explica.

Para ela, outra dificuldade é a diversidade que existe dentro do próprio grupo evangélico. "O desafio é grande, porque dentro do grupo evangélicos tem vários tipos de pessoas. Tem aqueles que são tradicionais, que não podem ter a saia acima do joelho, que a manga tem que ser comprida, não pode ter decote ou alça. E tem os evangélicos mais liberais, mais modernos, que usam roupas mais normais", diz.

Para Amanda, o público evangélico ainda sofre com poucas opções no mercado. "A gente pensa que ainda é pouco, porque o público que não é evangélico tem uma variedade muito maior", afirma.

A estudante de história Sara Nobre, de 24 anos, frequenta a Assembléia de Deus. Ela conta que a igreja é tradicional quanto aos vestimentos e muitas vezes ela encontra dificuldade em encontrar roupas.


"A minha igreja é bem tradicional, porque não pode uma camiseta decotada, saia curta ou calça jeans. Há uns dez anos era uma missão quase impossível comprar roupa, mas agora tem mais lojas voltadas para esse público. No mercado geral ainda é complicado comprar roupa, porque quando você encontra uma camiseta que tem manga, ela é muito decotada. Quando encontra uma saia legal, ou ela é muito curta ou longa demais. Por isso é complicado", afirma.

Sara acredita que com as lojas especializadas, fica mais fácil encontrar as roupas que gosta. "A gente vai na loja e sabe que lá vai ter o que comprar. Não precisa ficar rodando o dia inteiro e não comprar nada", diz.
Loja, na capital, é especializada em roupas femininas para evangélicas (Foto: Veriana Ribeiro/G1)

Artigos evangélicos
O lojista Marcos Maia trabalha com uma loja especializada em produtos evangélicos, ele compartilha da preocupação de Amanda. Para ele, os produtos evangélicos ainda são 'artesanais'.


"Na linha gospel, 80% dos produtos são artesanais. São poucos que primam pela qualidade. O segmento, ainda hoje no Brasil, deixa a desejar. Se você quiser grife, são poucos. Mas a gente crê que marcas fortes vão abraçar o segmento, como fez a Sony e a Som Livre", acredita.

O lojista trabalha no comércio em Rio Branco há mais de 15 anos. Ele conta que no começo tinha uma loja de tinta que, aos poucos, foi se transformando em uma das principais lojas especializadas em artigos evangélicos da capital acreana.

"Quando a gente se converteu, não tinham materiais para o segmento evangélico. Nós comprávamos para a nossa necessidade e caso alguém quisesse. Antes nem sequer tinha demanda, a loja não se sustentava só com os produtos evangélicos. Com o passar do tempo ela cresceu, ficou maior, com variedade de produtos, e hoje consegue ser sustentável", explica o dono da loja El Shadday.
Em loja evangélica, livros são os mais procurados (Foto: Veriana Ribeiro/G1)


No local, é possível encontrar produtos diversificados, entre livros, CDs, DVDs, produtos de decoração, materiais escolares, entre outros. Ele acredita que a parte de literatura é a mais procurada pelos clientes.

"Não só no Brasil, mas no mundo, nesse segmento cristão o que mais sai em qualquer livraria é a bíblia. O segundo produto que mais vende na área cristã são os livros. Em terceiro CDs de hinos de louvor, músicas que falem do nome de Jesus", afirma.

Maia lembra que no começo o comércio era restrito e a diversidade de produtos era ainda menor. "Era sempre um negócio pequeno, onde você via só uma portinha com um material restrito à bíblia, livro e cd. Outro material não encontrava, no máximo um chaveiro. Com o crescimento dos cristãos no Brasil, abriu-se um leque. Com a demanda no mercado, eles começaram a crescer e aumentar as lojas", diz.

Evangélicos no Brasil
De acordo com dados do Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de evangélicos no Brasil aumentou 61,45% em 10 anos. Em 2000, cerca de 26,2 milhões se disseram evangélicos, ou 15,4% da população. Em 2010, eles passaram a ser 42,3 milhões, ou 22,2% dos brasileiros. Em 1991, o percentual de evangélicos era de 9% e, em 1980, de 6,6%.

O IBGE registrou que ao mesmo tempo em que o número de católicos caiu no Norte e no Nordeste, o número de evangélicos cresceu com maior volume nas duas regiões. A representatividade no Norte saiu de 19,8% (2000) para 28,5% (2010). No Nordeste, o aumento de evangélicos foi menor, saindo de 10,3% para 16,4%, se comparados os Censos de 2000 e de 2010, respectivamente.

Fonte: CBN
Ela tem um estilo em que não entram transparências, minissaias, decotes nem roupas sem mangas. Mas está longe de ser careta, sem graça ou fora de moda. Trata-se da moda evangélica, muito bem representada por mulheres que levam a palavra de Deus de acordo com suas convicções religiosas religiões por meio da música e pregações, como Aline Barros, Fernanda Brum, Ana Paula Valadão, Mariana Valadão e Soraya Moraes.

O segmento gospel é grande e, com o aumento de mais 16 milhões de fiéis entre 2000 e 2010 (data do último censo do IBGE), não faltam confecções que produzem peças inspiradas nas tendências nacionais e internacionais, adaptadas para os parâmetros religiosos da exigente clientela.

A calça comprida, em geral, cede o lugar para as saias, sendo as mais ousadas na altura dos joelhos. O mesmo ocorre com o comprimento dos vestidos. Vale ter assimetria, babados, camadas, brilhos, bordados (desde que não chame a atenção para os seios e quadris).

O que não vale é um ombro só, recortes, fendas acentuadas, comprimentos mini. Apesar de a maioria das mulheres preferirem saias e vestidos, as calças compridas entram como complementos de casacos, vestidos e túnicas, como pode ser visto em apresentações públicas como shows e pregações. Em dezembro, no show Promessas, da Globo, Aline Barros e Ana Paula Valadão usaram as peças com brilhos e bordados, sob vestido e túnica.

Cuidados como manguinha para evitar a nudez nos braços e criatividade para acessórios, como lenços, echarpes, calçados (sim, pode usar salto, mas sem exageros) e bolsas estilosas também estão na linha de produção das confecções especializadas.

Mas há também espaço para marcas não ligadas à religião no guarda-roupa de cantoras como Aline Barros, que não tem um personal stylist e, segundo sua assessoria, recebe às vezes ajuda de sua mãe, Sandra Barros, para escolher o que vestir.

Em seus shows e no dia a dia, suas produções são compostas por marcas como Maria Bonita Extra, Mara Max, Animale, Osklen e John John. Cabem ainda peças feitas para ela sob medida por sua própria confecção Minha Maria, para meninas de 0 a 10 anos, e batizada em homenagem à sua filha, Maria Catherine. 

Colega de Aline, a pastora e cantora Fernanda Brum também está no time das evangélicas estilosas por conta própria. Sem a ajuda de um personal stylist, ela conta que compra aquilo que gosta. “Quando vejo na vitrine e acho que é a minha cara", diz, respeitando as exigências da religião. "Uma marca que uso bastante é a Seven Liz, da minha amiga Liz Lanne. Não costumo aceitar patrocínio de grifes.", afirma.

Adaptação
Nos anos 1990, a Joyaly surgiu da necessidade do evangélico em encontrar produtos do vestuário que atendessem aos critérios da religião, como a saia mais longa e a ausência de transparências e decotes muito chamativos. "Naquela época era muito difícil encontrar produtos específicos uma vez que havia certo preconceito da sociedade e o mercado ainda não dava a devida importância a esse segmento”, conta Alison Joyaly, proprietário da marca que já vestiu a cantora Aline Barros.

Segundo ele, desde o início de suas atividades, sempre experimentaram crescimentos além das taxas de mercado, devido à demanda reprimida que havia nesse segmento. “Em 2000, quando mudamos para o Brás, onde se concentra o maior polo atacadista de vestuário da América do Sul, tivemos um aumento muito grande em visibilidade e, com isso, a oportunidade de atender clientes de todas as partes do Brasil que vinham ate aqui para fazer suas compras", conta.

Crescimento
Para acompanhar o crescimento do número de evangélicos no Brasil de 26,2 milhões em 2000 (15,4% da população) para 42,3 milhões (22,2%) em 2010 a alternativa da Raje Jeans, em 2007, incorporou-se à mídia digital, marcando presença na web e, em 2010, nas mídias sociais. Hoje, os lançamentos são diários e acompanhados por mais de 30 mil clientes cadastrados em todo o mundo. Só para efeito de comparação com o mercado atual, em 1991, o percentual de evangélicos no Brasil era de 9% e, em 1980, 6,6%.

Segundo Alexandre Iones, da Monia, marca que atua no segmento evangélico desde 1978, em 1999 já existia uma grande procura de seus produtos pelos clientes, por conta da carência de ofertas. “No ano seguinte, aperfeiçoamos todos os nossos produtos para o mercado evangélico." Hoje, além das quatro lojas em São Paulo, também vende on-line.

Fonte: Terra
Elas já foram mais compridas e sóbrias. Hoje, as saias usadas por evangélicas seguem tendências da moda -podem ser justas ou soltinhas, de cintura alta, com rendas ou laços- e fazem sucesso nas igrejas de São Paulo.
A advogada Mari Scarparo, 33, da Congregação Cristã de Caieiras (Grande SP), aprova o novo "look". "Há uns dez anos, usávamos vestuário de "senhora". Hoje, uso as mesmas roupas da igreja em audiências e me sinto melhor com esse estilo moderno."
A loja Monia é um exemplo dessa transformação. Inaugurada em 1978, passou a atender só evangélicos há cerca de dez anos. "Hoje, nossos produtos seguem tendências", diz Alexandre Iones, um dos responsáveis.
Na esteira desse mercado, a estilista Mara Jager, 33, montou há dois anos uma marca para evangélicas. "As saias estão menos compridas. A evangélica quer se sentir bem, mas sem excessos."