O candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain, repudiou o apoio do reverendo John Hagee à sua campanha depois de tomar conhecimento de um sermão feito no qual o pastor evangélico declarou que Deus permitiu o surgimento de Adolf Hitler porque isto resultaria no retorno de Israel ao povo judeu.

A decisão pelo distanciamento, noticiada na edição desta sexta-feira do jornal "Washington Post", ocorreu depois de meses de pesadas críticas, especialmente de católicos, sobre o fato de McCain ter aceitado o endosso de Hagee à sua campanha presidencial em fevereiro. Hagge já chamou a Igreja Católica de "sistema religioso falso" e "sistema de culto falso", além de ter sugerido que a Santa Sé teria tido participação no Holocausto - a matança de milhões de judeus pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Hagee, de 68 anos, é um dos mais famosos evangelistas da TV americana. O pastor é conhecido pelo seu fervoroso apoio a Israel, mas tem um relação turbulenta com organizações judaicas. Ele liderou um grupo chamado Cristãos Unidos por Israel, sem contar com o apoio de várias entidades, que não aceitam o fato de o líder evangélico não apoiar a solução pela criação de dois Estados para pôr fim ao conflito árabe-israelense. Hagge também polemizou ao sugerir que a "rebelião" dos judeus contra "Jeová" provocou grande parte do sofrimento deles, incluindo o Holocausto.

Esta semana, uma nova controvérsia teria selado o afastamento definitivo de McCain. O vídeo de um sermão, datado do fim dos anos 90, que circulou pela internet mostra Hagee chamando Hitler de "caçador", uma referência ao Livro de Jeremias, que cita Deus afirmando que "vou devolver" ao judeus "a terra que dei ao seus ancestrais".

"Deus enviou um caçador. Um caçador é alguém com uma arma e ele o pressiona. Hitler foi um caçador", diz o pastor no vídeo. "Como isso aconteceu? Porque Deus permitiu que acontecesse. Por que isso aconteceu? Porque Deus disse que a mais alta prioridade dele para o povo judeu era fazer com que ele retornasse à terra de Israel", acrescenta.

Obama em maus lençóis

Problemas com um pastor aliado não é exclusividade de McCain. O senador Barack Obama, que postula a nomeação democrata para a eleição de 4 de novembro, teve dificuldades após uma declaração polêmica de um líder evangélico que o apoiava. Jeremiah Wright provocou estragos ao fazer um sermão de fortes tons raciais. Obama acabou se afastando dele, dizendo que as palavras do pastor foram revoltantes, destrutivas e que davam "conforto àqueles que pregam o ódio". O pré-candidato à Presidência denunciou o homem que o guiou por mais de 20 anos, acusando-o de ter montado um espetáculo e de ter "feito uma caricatura de si mesmo". Wright foi o líder da Trinity United Church, de Chicago, casou Obama e batizou suas duas filhas.

"Hillary nunca sofreu na pele o que significa ser negro num país e numa cultura dominados por brancos ricos. Jesus era um homem negro que viveu num país e numa cultura dominada por brancos ricos. Os romanos eram brancos e ricos. Por que tanta gente odeia Obama? Porque ele não cabe no modelo da elite. Ele não é branco, não é rico, não é privilegiado. Hillary obedece ao modelo da elite. Hillary nunca foi chamada de crioula. Obama sabe o que é sentir na pele a discriminação. Hillary nunca teve que trabalhar o dobro para ganhar o mesmo salário que uma branca. E nunca sentiu a injustiça que os negros sentem ao ver a Casa Branca dominada por uma gente branca estúpida, quando nós, negros, sabemos que somos muito mais inteligentes do que eles", diz o pastor Wright.

O pastor se defendeu das acusações de ser "antipatriota", feita pelo vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, e elogiou o líder muçulmano americano Louis Farrakhan, da corrente radical Nação do Islã, que muitos qualificam como anti-semita.


Fonte: O Globo Online
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Eginoaldo

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