Atriz de "Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios" tem sido o destaque dos grandes festivais de cinema brasileiros Homenageada no Festival do Recife, Camila Pitanga já havia dito, no Cine PE, que adoraria ser artista exclusiva da Drama, a produtora dos filmes de Beto Brant. Na época, ela já havia filmado Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios. O filme adaptado do livro de Marçal Aquino integrou a Première Brasil, no Festival do Rio. Camila recebeu o Redentor de melhor atriz. Ela não renega, claro que não, os papéis na TV, mas reafirma que Eu Receberia as Piores Notícias tem um significado todo especial.

O filme terá na segunda-feira sua última sessão na 35ª Mostra de São Paulo. Um desencontro impediu que se entrevistasse Camila no hotel em que estava hospedada. Ela precisou voltar ao Rio para um teste de figurino e a entrevista foi feita por telefone. "Para, Nega, para." Camila conversa com o repórter, mas volta e meia interrompe a entrevista. Quem é Nega?
— Ela é minha labrador, está impossível — Camila informa do outro lado da linha. O teste de figurino foi para uma participação em A Grande Família, que Camila grava nos próximos dias. Ela acha que vai ser bacana.
— Adoro Marieta (Severo), (Marco) Nanini, todo o mundo.
A voz é calorosa. Se gostaria de ser exclusiva da Drama é porque nunca viveu nada parecido com o processo de criação do filme e de sua personagem, a instável Lavínia.
— O cinema sempre fez parte da minha vida. Embora tenha nascido em 77, bem depois do Cinema Novo, acompanhei, ainda menina, meu pai nos sets deQuilombo Natal da Portela.
Camila refere-se aos filmes de Cacá Diegues e Paulo César Saraceni. Ao agradecer por seu Redentor, no Rio, ela dedicou a noite à mãe, mas disse que Pitanga a havia apresentado ao mundo do cinema antes mesmo de nascer. Depois de Eu Receberia, ela se sente, mais que nunca, parte desse mundo.
O carinho por Pitanga é imenso.
— Meu pai é uma pessoa muito querida, muito respeitada. O cinema lhe deu uma identidade, uma consciência muito grande, e ele passou isso para a gente, para o Rocco (seu irmão, o ator Rocco Pitanga) e eu.
A família é muito unida.
— Claro, a gente se ama e se admira.
O processo de Eu Receberia as Piores Notícias...
— Tivemos uma preparação intensa, em São Paulo, em Santarém, no Rio. Sou ruim para essa coisa de datas, mas deve ter durado uns três meses. O roteiro era um pretexto. Beto e Renato (o codiretor Renato Ciasca) fazem com que a gente olhe a cena como um corpo pensado, um jogo de todos.
O todos, no caso, engloba seus parceiros de elenco - Gustavo Machado e Zécarlos Machado.
— Foram muito generosos. Mais do que uma equipe, acho que formamos uma família, mais uma.
Essa entrega do elenco como um todo, e não só de Camila, é o que existe de mais belo em Eu Receberia as Piores Notícias. E transcende o trio principal. Integra os índios do elenco.
— Não tem exotismo nenhum. Eles fazem parte do corpo do filme. E a gente estava lá, acompanhando a luta deles por demarcação de terras, em defesa da floresta. Foi tudo muito forte. E está tudo no filme — diz a atriz, que identifica uma riqueza metafórica muito grande no cinema de Beto Brant e Renato Ciasca, sem prejuízo das cenas em que o elenco inteiro colocou sua emoção.
Fonte: Diário Catarinense
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Eginoaldo

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