SÃO PAULO - Foi confirmada nesta quarta-feira a existência de uma terceira múmia enterrada na parede do Mosteiro da Luz, na área do Museu de Arte Sacra, na região central de São Paulo.



O corpo mumificado está em uma tumba abaixo da que guarda os corpos das duas freiras concepcionistas, que viveram no local entre os séculos 18 e 19, como revelou o jornal Diário de S.Paulo em primeira mão na terça-feira. No total existem seis carneiros (tumbas construídas na parede), com capacidade para dois corpos cada. Os pesquisadores já abriram duas gavetas e acharam dois corpos em uma e um terceiro na segunda. Se forem confirmados os pares, o número de múmias pode chegar a 11.

Segundo o antropólogo Sergio Francisco Monteiro da Silva, professor de antropologia forense da Academia de Polícia e do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, a massa de cal que reveste a parede das tumbas é absorvente e ajudou a preservar os corpos.

A terceira múmia está em uma tumba separada das outras duas freiras. Como as escavações estão suspensas, ainda não foi possível saber se ela foi sepultada com outra pessoa. "O que podemos perceber é que lá existe um corpo modulado", diz Sergio Francisco.

Segundo Luiz Roberto Fontes, médico legista do Instituto de Medicina Legal de São Paulo (IML) e especialista em cupins, a mão da nova múmia encontrada está esqueletizada, mas a pele está preservada no resto do cadáver. "O membro superior está bastante visível", conta Fontes, que integra o grupo de especialistas que estão estudando as múmias do Mosteiro da Luz.

Preservação dos corpos

As escavações foram suspensas para preservar as múmias. Os corpos se decompõem rapidamente ao entrarem em contato com o ambiente externo e, por isso, existe o receio de que eles se desmoronem.

A sala onde as múmias foram encontradas está forrada com tecidos que retêm a umidade, chamados frizelinas. De acordo com a diretora-executiva do museu, Mari Marino, também foram colocados três esterilizadores para combater a ação de fungos e bactérias. A temperatura no local é medida três vezes ao dia.

O museu aguarda a chegada de novos equipamentos, como um GPR (uma espécie de ultra-som de subsolo) e endoscópio, para avançar no estudo dos corpos e das tumbas com métodos menos invasivos, sem que seja necessário prosseguir com as escavações.

A pesquisa pode durar pelo menos um ano. Uma equipe multidisciplinar foi criada e dela participam arqueólogos, historiadores, médicos, médicos legistas, museólogos e especialistas em cupins.

Os estudiosos irão concentrar esforços na pesquisa sobre as duas múmias escavadas. Um pedaço dos ossos será remetido a um laboratório norte-americano, em Miami, para descobrir a data em que morreram. "É um achado significativo para a cidade de São Paulo, que vai trazer elementos sobre os costumes daquela época, como alimentação e vestimenta", diz Sérgio Francisco.

Sem data para exposição

Segundo o professor, será por meio de estudos sobre a prática de morte das freiras que a equipe pretende levantar as práticas de vida delas na clausura. Como o trabalho é minucioso e, por isso mesmo, demorado, não há previsão para a abertura ao público.

- A idéia é colocar (as múmias) em exposição. Mas a sala, por exemplo, tem que ser climatizada e não há prazo para isso - afirmou o capelão do mosteiro, o padre Armênio Nogueira.

Por enquanto, quem visitar as relíquias expostas no Museu de Arte Sacra - são cerca de 500 peças - terá de se contentar em olhar a porta fechada e imaginar que lá estão guardados ao menos três corpos mumificados das freiras. A visitação à sala das múmias está proibida.

As irmãs viveram enclausuradas no mosteiro entre os séculos 18 e 19. No local onde estão enterradas ficava a antiga sacristia de Frei Galvão, tornado santo católico no ano passado pelo papa Bento XVI. Até 1822, o mosteiro funcionava como cemitério das Monjas Concepcionistas da Congregação de Imaculada Conceição. Hoje, vivem no mosteiro 14 monjas.

Fonte: O Globo Online
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Eginoaldo

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