SÃO PAULO - A Associação Paulista dos Magistrados (Apamagis) contestou nesta quarta-feira as acusações feitas pela Rede Record de Televisão contra promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo a emissora, um dos promotores teria direcionado o processo que apura lavagem de dinheiro e formação de quadrilha contra integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus . Em nota, a Apamagis diz que as alegações da emissora são "desprovidas de qualquer prova" e não encontram "lastro na realidade".

Em seus telejornais, a TV Record acusa o promotor Roberto Porto de ter direcionado o processo para a 9ª Vara Criminal da capital, onde sua ex-mulher, a juíza Patrícia Alvarez Cruz, já atuou. Para a Apamagis, a emissora está sendo inconsequente.

"A distribuição da denúncia oferecida por promotores de Justiça de São Paulo em face de dez pessoas ligadas à Igreja Universal foi feita de acordo com os trâmites legais, por meio de procedimento eletrônico adotado pelo Tribunal de Justiça", diz a nota. "O sistema de distribuição de feitos criminais da justiça paulista é moderno e altamente confiável (...) Não se aceitam, portanto, alegações desprovidas de qualquer prova, que imputam responsabilidades nos trabalhos desenvolvidos, comprometendo a honra de servidores e magistrados de forma totalmente inconsequente".

Emissora nega superfaturamento, mas não explica denúncias

A TV Record divulgou nesta quarta-feira nota rebatendo as acusações de superfaturamento na venda de horários comerciais para a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) como forma ilegal de financiamento da emissora. Líderes da Universal, inclusive seu fundador, Edir Macedo, foram denunciados e viraram réus por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, acusados de desviar dinheiro arrecadado nos templos da igreja para a compra de empresas de comunicação e imóveis. Na nota, a Record não esclarece as denúncias do Ministério Público sobre desvio de doações de fiéis da Universal para compra de emissoras de TV e rádio.

"O dinheiro arrecadado na forma de dízimos na igreja vinha sendo injetado na TV Record, operação mascarada pela compra de espaço publicitário a preços muito acima dos praticados do mercado", diz trecho da denúncia do MP.

Segundo a revista "Veja", a Universal paga à Record mais de R$ 200 mil por hora na faixa da madrugada, que tem 1,4 ponto no Ibope. A revista afirma que é um valor muito acima do mercado e que, na mesma faixa, a TV Globo cobra R$ 50 mil e tem um Ibope bem maior, de seis pontos.

A revista diz ainda que, só no ano passado, a Universal repassou cerca de R$ 400 milhões para a Record, um terço de tudo o que a emissora arrecada com publicidade.

Na nota, a TV Record refutou as suspeitas, mas admitiu que a igreja compra 180 horas por mês na madrugada da emissora em rede nacional, 180 horas na Rádio Record AM e mais 150 horas no canal internacional do grupo, totalizando 510 horas.

A emissora afirma que não se deve comparar os valores que ela recebe da Universal com o que cobra a TV Globo no mesmo horário porque, além do horário na faixa da madrugada, a Record vende inserções comerciais ao longo do dia para a igreja.

Os promotores concentraram a investigação sobre Edir Macedo por desvio de finalidade em relação às doações dos fiéis. A denúncia diz que não é ilegal receber doações, desde que sejam usadas na igreja ou em assistência social, já que organizações religiosas são isentas de pagar tributos. O crime é usar esse dinheiro para financiar empresas particulares e montar patrimônio pessoal.

Fonte: O Globo
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Eginoaldo

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