Queridos irmãos, escrevo estas palavras depois de algum tempo do ocorrido em uma ministração do Diante do Trono em Anápolis, Goiás, onde andei como um leão no palco. Logo após o evento as imagens deste ato foram colocadas na internet e tenho recebido inúmeras palavras de apoio e também de repúdio ao que as pessoas assistem no pequeno vídeo. Somente agora tive paz em meu coração para escrever explicando o que aconteceu, pois temia estar agindo errado ao tentar me defender. Apenas respondi às pessoas que me procuraram pessoalmente ou que escreveram e-mails para o nosso ministério. Mas hoje, depois de algum tempo, decidi trazer um texto a público.

Desejo começar pedindo perdão aos irmãos que se sentiram ofendidos com o que fiz, pois de maneira alguma meu desejo foi esse. Eu acredito e me esforço pela unidade do Corpo de Cristo e anseio por ser sempre uma voz que inspire a comunhão e a união entre os crentes no Senhor Jesus. Jamais faria algo propositadamente que pudesse causar divisão, escândalo, ferindo esta unidade em favor da qual tenho orado e trabalhado.

Dentro do ministério que recebi do Senhor, que é o louvor, acredito que podemos experimentar esta unidade de uma maneira como nenhum outro ministério pode, pois todos os cristãos, independente da sua denominação, podem estar unidos cantando louvores a Jesus e exaltando o Seu santo nome. Portanto, inicio pedindo perdão por ofensas causadas por este ato que fiz e que tenham trazido qualquer divisão em nosso meio.

Agora, se o leitor me permite, gostaria de tentar explicar o que aconteceu. Se serei aceita ou não, depende de quem lê, pois muitas vezes nossos pressupostos teológicos são tão diferentes que nenhuma explicação seria suficiente para que todos concordassem com minha atitude. Mas tentarei ser o mais clara possível em minhas posições.

Quando nos preparávamos para ir a Anápolis, considerada uma das cidades com maior população evangélica do país, passei a buscar do Senhor algo específico que deveria ser ministrado ali.

Procuro em cada evento ter a direção de Deus em meu coração para que não seja apenas um show, mas sim, algo relevante para as pessoas que estarão presentes, alcançando a Igreja e a cidade como um todo. São canções que entronizam Jesus, são orações que acreditamos que podem muito em seus efeitos, tanto na vida das pessoas presentes, como na vida de pessoas distantes, e até mesmo de toda a cidade, que está sendo coberta por nossas intercessões enquanto adoramos e oramos juntos.

Em Anápolis o que me veio ao coração era que a Igreja do Senhor Jesus precisava de encorajamento. Havia depressão, medo, intimidação, angústia e desejo até mesmo de morte no coração de muitos cristãos. Essa impressão foi confirmada por vários testemunhos que recebi antes e depois da ministração.

Realmente o índice de suicídio era altíssimo naquela cidade, e muitos crentes, com histórias terríveis dentro das igrejas evangélicas, passavam por esse tipo de aflição. Havia também a confirmação de que a igreja, muitas vezes misturada ao mundo, precisava ser despertada para ter mais ousadia para pregar o Evangelho, para sair das paredes dos templos e fazer diferença na sociedade. Sei que esta parece uma mensagem que pode ser pregada em qualquer cidade, mas a cada evento tenho buscado algo específico de Deus para Seu povo, e todas as vezes a ênfase é diferente. Ali em Anápolis esta foi a direção, ou seja, uma ministração de força e ânimo para o povo de Deus.

Enquanto eu falava sobre isso naquela noite, um cântico espontâneo veio ao meu coração que dizia: “Como um leão, um cordeiro e um leão”.

Falei sobre como devemos ser fortes no Senhor para resistir o inimigo, suas tentações, suas intimidações. Falei sobre como as portas do inferno não prevalecerão contra uma Igreja ousada, que evangeliza, que é sal desta Terra e luz deste mundo. Falei sobre uma postura de resistência e ousadia ao invés de uma passividade e comodismo em que muitos crentes vivem hoje. Disse que Jesus é o Leão da tribo de Judá, forte, vencedor, e Ele está em nós para nos fortalecer. Também falei que devemos ser como Jesus, o Cordeiro de Deus. Assim como Ele é, devemos ser mansos, humildes, com coração quebrantado diante da vontade do Pai, e mudo perante seus acusadores. Disse essas coisas e celebramos com muita alegria e intensidade esta realidade que vemos em Cristo e que podemos viver em nossas vidas. Estava bem claro diante de nós que o Espírito Santo era quem havia trazido esta mensagem, de maneira tão espontânea, e as pessoas respondiam celebrando conosco e recebendo esta ministração em seus corações.

Foi então que eu, crendo hoje assim como naquele momento, senti em meu coração a direção de me agachar e andar como um leão. Eu antes estava celebrando e pulando bem alto, e sentia uma leveza especial. Mas de repente minhas pernas faltaram com a força e me vi no chão sem conseguir me levantar. Agachar e engatinhar foi um reflexo rápido, e eu, que já estou acostumada a obedecer aos ímpetos que creio que o Espírito Santo me traz, obedeci àquela direção. Enquanto representava um leão ali no palco, eu pensei: “Minha reputação está indo embora. Deus, o que as pessoas vão pensar de mim?”. Mas eu ouvia no mais profundo do meu coração que eu O estava obedecendo e que não era para me preocupar com a opinião das pessoas.

Agi crendo que o Espírito Santo estava me movendo, e obedeci ao que ouvi dentro do meu coração. Assim faço quando preciso escolher um cântico que será entoado em um culto, seja anteriormente enquanto oro e faço a lista de músicas ou seja durante o evento, em momentos em que o plano é mudado e algo espontâneo nasce, ou uma música não planejada encaixa-se perfeitamente no que o Senhor está fazendo naquele instante. Não planejei andar como um leão, mas cri estar agindo, obedecendo a um ímpeto do Espírito Santo em meu coração.

Agi assim, com tanta liberdade, por estar em um evento do Diante do Trono. Apenas depois do evento é que tomei conhecimento de que estávamos em um lugar cedido pelos irmãos das denominações históricas, e isso trouxe preocupação ao meu coração, pois não queria ofendê-los. Jamais agiria assim dentro de um lugar onde claramente este tipo de atitude seria incompreendido. Em nossos eventos, as pessoas geralmente já nos conhecem e sabem que somos batistas renovados, com características pentecostais, e não se escandalizam com as manifestações dos dons do Espírito Santo através de nós. Sabia que andar como um leão era muito diferente e poderia ser polêmico, mas agi crendo que tinha liberdade para isso e também baseada no que vejo na própria Palavra de Deus.

Na Bíblia encontramos diversos exemplos de mensagens de Deus que foram entregues ao Seu povo através de encenações ou recursos visuais.

Ezequiel, por exemplo, abriu um buraco na parede e fugiu com uma “mochila” nas costas avisando do cativeiro babilônico (Ez 12); em outra ocasião, ele construiu uma “maquete” da Jerusalém sitiada (Ez 4); e também, em outro momento, Deus o proibiu de chorar a morte de sua esposa amada (Ez 24:15-18). Jeremias, um outro profeta, por ordem de Deus, colocou um jugo sobre si e passou a andar pela cidade dessa maneira (Jr 27); noutra ocasião, ele enterrou um cinto de linho junto ao rio e depois de algum tempo, pegou-o apodrecido (Jr 13:1-11). E o que dizer de Oséias, que, em obediência a Deus, se casou com uma prostituta e por diversas vezes a perdoava e a recebia de volta apensar de suas traições (Os 1 e 3)?

Estes e muitos outros atos dos profetas (ou atos proféticos) carregavam uma mensagem para o povo de Deus. Até mesmo o próprio Deus, em algumas ocasiões, usou de recursos áudio visuais para trazer a Sua mensagem, de modo a fixá-la mais firmemente na memória das pessoas. Isso aconteceu, por exemplo, na visão que Pedro teve de um lençol que descia do céu com toda sorte de animais, representando o propósito de Deus em alcançar os gentios com o Evangelho (At 10: 9- 16).

Sei que não sou nem Jeremias, nem Ezequiel, nem Oséias, nem Isaías, nem Pedro, e reconheço que apenas as Escrituras Sagradas devem ser vistas sem julgamento ou crítica, mas aceitas plenamente porque são a Palavra inspirada, inerrante e infalível de Deus. Minha atitude pode e deve ser julgada por todos. Mas desconhecendo o contexto em que aconteceram os fatos, é difícil uma pessoa, por mais justa que seja, chegar a uma conclusão correta. Acredito que andar como um leão naquele momento era uma mensagem que o Senhor estava passando para o Seu povo naquela cidade. Mensagem essa que falava de força, resistência, ousadia, encorajamento e poder do Espírito Santo em nós.

Muitos se esqueceram dos dez anos de ministério Diante do Trono, em que tenho servido ao meu Senhor e à Sua igreja com toda integridade do meu coração, e se apegaram a alguns minutos, desconectados do seu contexto e sentido, e passaram a me acusar de trazer heresia e bruxaria. Toda sorte de adjetivos ferinos foram usados contra a minha pessoa.

Há poucos dias li um artigo escrito por um pastor que participou da “Bênção de Toronto”. Ele disse que várias pessoas andavam como leão e agiam como outros animais. Ele afirmou que tudo o que viveu não veio do Espírito Santo de Deus, pois nos bastidores havia intrigas, problemas familiares, corrupção na vida dos líderes envolvidos. Mas eu posso testemunhar, e comigo se levantam todos os membros do grupo, minha família e minha igreja local, que vivemos em comunhão com Deus e uns com os outros. Temos um testemunho de seriedade em nossa busca por Deus e em nossos relacionamentos familiares e ministeriais. Acredito que toda uma vida não pode ser desprezada por alguns minutos fora do contexto, minutos esses que infelizmente encontraram portas abertas em muitos corações: alguns ansiosos para difamar e outros sinceros para guardar-se de qualquer engano.

Minha oração e pedido é para que toda divisão causada por este ato no Corpo de Cristo seja curada, e que a unção, ou seja, a capacitação divina para vivermos como Jesus, o Cordeiro e o Leão, realmente esteja sobre cada um de nós: ousados e fortes nEle; e mansos e humildes diante dos nossos ofensores.

Crendo que mesmo nas aparentes derrotas nesta vida há um brado de vitória ecoando nos céus; acreditando no Reino que é de ponta cabeça, pois: quando somos fracos é que somos fortes; quando parece que perdemos tudo, aí é que ganhamos; quando damos a outra face, aí é que triunfamos; quando nada temos é que possuímos tudo; e mesmo entristecidos estamos sempre alegres. Ou, como escreveu Rubem Amorese no seu livro “Meta-história”, que muito me consolou nos últimos dias, somos ovelhas-leão.

Muito obrigada a você que lê pela oportunidade que me dá de esclarecimento, e mais uma vez, perdão se ofendi ou feri seu coração.

No Senhor,

Ana Paula Valadão Bessa.


Publicado no site diante do trono
Share To:

Eginoaldo

Post A Comment: